quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Hoje eu chorei

É como se o mar tivesse pedido emprestado as gotas de minhas lágrimas para aumentar suas ondas...
Ou talvez para que aumentasse ainda mais a minha dor.
É como se eu fosse a culpada por estar gastando gotas de minha alma, e diminuindo a porcentagem de minha felicidade, de minha alegria... Como se cada soluço fosse uma perda de memória brutal, e que com dois segundos as gotas que escorriam pela minha face despertavam os mais piores sabores da melancolia.
É como se todas as rosas do universo, podessem escutar o barulho de cada gota caindo, sem poder consolar com suas cores e perfumes delicados... É como se nada podesse acalentar o grito de um olho lacrimejante, desesperadamente pedindo para descer lágrimas mórbidas...
É como se eu fosse igual á uma pequena formiga, se afogando em suas próprias lágrimas.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Caminho sem nome


Certo dia chuvoso... Caiu de lá de cima um anjo. Ele tinha duas asas pequenas, porém notáveis; tinha os olhos castanhos e cabelos encaracolados. Um anjo lindo! Seu rosto oval e ligeiramente rosado, seu nariz empinado e fino, sua boca avermelhada... Aspectos nítidos de um verdadeiro anjo.
No dia seguinte, ensolarado, entupido de pássaros e flores coloridas. O desconhecido anjo perfeito, aparentemente; andava sobre as gramas, a sorrir e a chorar, confuso com o seu inesperado teletransporte. Surgiu então, um velho homem, de bengalas, de cabelos e barbas brancas; que avistou um lindo ser a chorar e a sorrir, sem pensar no que fazer, o velho aproximou-se da perfeita criatura indecifrável...
" - Seria um homem ou uma mulher? " Pensou ele.
Independente do que fosse, o velhinho perguntou-lhe:
- Olá, está tudo bem com você? Estranho o que estou vendo agora. Eu nunca presenciei alguém chorando e sorrindo ao mesmo tempo. E nunca fiquei confuso como estou agora, não sei se você é homem ou mulher. Desculpe-me, mas... Como se chama?
O anjo espantado com as palavras do velho, abaixou a cabeça envergonhado e respondeu:
- Sempre estou bem, e não sei porque eu sorrio e choro, ao mesmo tempo. Eu acho que respondi ao senhor, duas complicadas perguntas. Mas as últimas duas, estão difíceis, porque eu as desconheço.
O velho sem entender absolutamente nada, paralisou os olhos na face delicada do ser indecifrável, e pensou:
" - Que rosto delicado "
O anjo logo respondeu-lhe:
- Obrigado, o senhor é muito gentil. 
O velho espantado e muito surpreso, disse ao anjo:
- O que é isso?? Como adivinhou o que veio em meus pensamentos? Você é alguma espécie de vidente? Estou tremendo as pernas!
O anjo lhe falou:
- Não tenha medo, meu senhor. Eu sou apenas um anjo, e não sei o que estou fazendo aqui embaixo... Bom, eu acho que tive culpa...
O velho com os olhos paralisados, disse:
- Anh??? Um anjo?! Eu pensei que havia visto de tudo nesse mundo; mas ver um anjo e conversando comigo naturalmente; eu jamais pensei que isso fosse acontecer... Mas, sim... Me conte, que culpa foi essa?
O anjo disse:
- Sabe, é que eu havia entrado em um departamento de desejos, lá no céu... Então, haviam vários botões de desejos, mas... Só poderia apertar quem fosse autorizado por Deus. Mas, pensei... Não custaria nada, se eu fosse apertar um botãozinho de olhos fechados. Apertei e depois ví o que estava escrito " Caminho sem nome "... Parei aqui. E quando menos espero, comecei a " sentir "... Exatamente por isso que o senhor me viu sorrindo e chorando... Mas, antes de chegar aqui, eu nunca havia chorado. É, eu sei... Eu fui o responsável por isso.
O velho com lágrimas nos olhos, disse-lhe:
- Fico triste em saber o quanto se arrepende de ter feito o que você fez...
O anjo franziu a testa, e disse:
- Meu senhor, eu desobedeci as ordens do todo poderoso.
O velho pensou, e disse:
- Por um lado, você pode tentar viver a vida aqui na terra... E apesar de tudo que temos aqui, você pode se acostumar. E melhor ainda quando você... Aliás, deixa que você descubra isso sozinho. Por falar em sozinho, eu estou notando que você agora tem um sexo definível... E você é um rapaz! Venha comigo, e vamos nos sentar... Gostaria muito de fazer algo para ajudar você.
O anjo, com um imenso sorriso no rosto, resolveu segui-lo. E já não chorava mais.
Passaram pela imensa cidade, vários carros em movimento, bicicletas encostadas... Crianças alegres, outras tristes jogadas e abandonadas.
O velho olhou diretamente nos olhos do anjo. E disse:
- Está vendo? O nosso ar sendo poluído, crianças sem abrigo. E ainda existem outras coisas piores, como assassinato e tráfico de drogas. Mas, isso você irá observar com o tempo. Fique tranquilo, pois ainda assim existem coisas boas. Como a amizade, o sabor das comidas, frutas, doces... E muitas outras coisas, que só com o tempo, você conseguirá sentir.
O anjo entusiasmado, já havia esquecido um pouco de seu arrependimento. E continuou a observar.
O velho o hospedou, dando-lhe as boas vindas.
Dois dias depois, ainda sem provar um alimento. O anjo sobrevivia, as asas cada vez menores... E aos poucos sentindo cheiro e dor. Seus pensamentos, já não eram os mesmos... A única vontade dele no momento, era aprender a viver.
Sua aparência era jovem, sua idade era indecifrável... Com o tempo foi sentindo a necessidade de se alimentar, sentia-se fraco. Foi então, que ele resolveu sair sozinho, pegou alguns trocados que o velhinho havia lhe dado, caso precisasse por alguma emergência. Mas, como ele não sabia o que era de comer em casa, resolveu sair sozinho, enquanto o velho estava distraído regando seu jardim. A verdade, é que ele estava sentindo a necessidade de se virar sozinho.
No caminho, ele viu várias pessoas com lanches, crianças com doces, pipocas... Ele prestou bastante atenção onde vendia essas coisas, que as pessoas colocavam na boca e mastigava com o maior gosto e desejo. Primeiro ele viu um carrinho de algodão doce, encostado em um banco da praça, onde haviam umas 3 crianças na fila. Ele resolveu esperar. E quando chegou a vez dele, ele direcionou o dedo, á cor do algodão, (como todas as crianças que ele havia visto) e pediu branco. Ele sentou-se em um dos pequenos bancos da praça, de frente para um pequeno rio. E abriu o pacote de algodão doce, e ficou pensando:
" - O gosto deste doce será o mesmo sabor de uma amizade? Ou terá o mesmo sabor de drogas e assassinato? ". O anjo lembrou das palavras do velho, antes de pensar. Depois, ele não se conteve, fechou os olhos e deu a sua primeira mordida.
Após ter provado, abriu os olhos rapidamente... Olhou para o pacote de algodão e disse:
- Que sabor de amizade! Hmmm, muito gostoso. Espero que as outras coisas, sejam mais saborosas o quanto este. Hmmm, que delicioso. Mas, ainda me sinto enfraquecido, o que será que devo comer para me sentir forte. Vou andar mais um pouco, e procurar a observar melhor.
O anjo saiu andando, ainda se deliciando com o resto do algodão doce. Parou na frente de uma lanchonete, onde estava uma fila de pessoas de todas as idades, o cheiro o atraiu, e ele como estava com muita fome, entrou na fila. E imaginando o sabor em sua boca, através do cheiro.
Ao esperar bastante tempo, e ainda o céu escuro. Era a vez dele, e direcionou o dedo, para uma figura no cardápio, que era um hamburguer. E poucos minutos ele saiu do local, e voltou para o pequeno banco da praça para experimentar o tão esperado hamburguer. Com sua primeira mordida, ele se surpreendeu, como poderia ser tão suculento aquilo, e porque ele sentia tamanha vontade de devorar a cada vez mais. Seria fome? Ou desejo? Ele não sabia o que sentia, e depois de comer tudo, foi para casa contar ao velho como foi o seu passeio.
O velho espantado, com a demora do anjo. Foi logo perguntando:
- Conte-me como foi? Gostou de sair sozinho? Não sente fome? Você precisa comer, pois passou muitos dias sem colocar nada no estômago. Você agora está fazendo parte da vida humana.
O anjo respoudeu:
- Sim, eu gostei muito do passeio, e não se preocupe, eu já comi algo no caminho. Mas, senhor... Me explique uma coisa, o algodão doce tem sabor de amizade? Porque eu lembro que o senhor me disse que existiam coisas boas, e citou a amizade, então... Como o algodão tem um sabor bom, pensei na amizade.
O velho falou:
- Meu jovem, a amizade não tem gosto... Você apenas sente ela em tua alma, em seus sentimentos... Dentro de seu coração. Não se preocupe. Um dia você encontrará.
O anjo pensou e disse:
- Certo, então um dia sentirei uma amizade. E... Senhor, ficarei sozinho por toda vida?
O velho respondeu:
- Não, não meu jovem. Você terá ainda um amor. E não me faça mais perguntas por hoje, pois está muito tarde, e amanhã terei que acordar cedo para plantar o restante das rosas.
O anjo pensativo, foi se deitar. E não tirava a palavra amor de sua cabeça.
" - O que será amor? ". E logo adormeceu.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Temperatura Triste Ocasional



É como se meu sangue estivesse congelando meu corpo frio.
É como se eu estivesse me engasgando com meus próprios pensamentos.
Senti isso nessa noite. Um sentimento de tristeza invadindo o meu ser. Senti medo... Muito medo.
Milhões de perguntas. O que está havendo? Ainda sinto!
É como se não valessem de nada os meus olhos, as minhas mãos... Nada, absolutamente nada.
Apenas consigo ver a noite fria... O temor lá fora. A agonia aqui dentro. Não durmo, todos dormem...
Tentando transformar as palavras em melodia, mas não consigo.
Sinto apenas tristeza.
Coloco uma música pra ouvir, não consigo entender a letra... A melodia me incomoda. Estou ficando mais triste.
Há um túnel do tempo, em que reflito meus pensamentos...
Minhas vontades geralmente são ocultas...
Numas lembranças inconvenientes
Que as vezes sufocam quando vem à mente,
Na tela do túnel, surge uma icógnita...
Uma imagem, ou um miragem?
Será que me escondo da minha própria felicidade?
Creio que essa noite foi apenas para eu refletir amanhã... O quanto fui triste hoje.
É apenas momento... Foi apenas um momento.

5 Setembro (Tore Gudmundsson)


Parece que essa data foi ontem...
Ainda me lembro do primeiro olhar, do primeiro sorriso...
Do vento querendo me levar. E da preocupação de encontrar um lugar.
Não senti nada, apenas um leve pensamento, me fez calar.
" Maravilhoso sentir, estar, conhecer, conversar...
Melhor coisa não há. A não ser abrir mão do verbo amar, mas com isso eu não estou disposta a brincar."
Eu não quis mais pensar, apenas deixei acontecer, e estava adorando.
Era a tarde, esperamos a noite chegar... A tarde foi tão divertida, que a noite resolvemos emendar...
Queríamos nos conhecer, e desfrutar.
Mais um pensamento naquele dia, me fez calar.
" Seria isso um sonho, ou estou mesmo neste lugar? "
Com um beijo, me fez silenciar meus pensamentos... E o que eu iria falar.
Tomamos umas cervejinhas, e com um pedaço de papel... Começamos a rabiscar.
Como se escrevia " Eu te amo " e qual seria a sutil diferença do " Eu te adoro "...
E em quais ocasiões se usariam, ou jamais usariam, ou até mesmo... Sempre usariam.
A minha vontade de explicar, era estampada em meu rosto.
E a vontade de aprender era notável...
Diferentes culturas... Hábitos, pensamentos. 
Mais uma vez os meus pensamentos pediram atenção.
" Que boca linda, ao falar... Que olhos lindos, ao piscar.
Que dentes lindos ao sorrir... Que dia lindo, que bom que estamos aqui. "
Quantas gargalhadas, em uma tarde. Quantos olhares, em uma noite.
Um sentimento colorido, divertido... O dia! O encontro...
Que sonho, um verdadeiro sonho real.
Perfeito, foi o nosso primeiro dia...
O primeiro, de muitos outros que ainda vamos nos encontrar, desfrutar.

domingo, 11 de outubro de 2009

Um dia talvez

Quem sabe um dia eu ganhe super poderes, e possa inventar uma máquina de desejos!
Assim, poderei me teletransportar pra onde eu quiser, pra onde eu imaginar!
Quem sabe, eu consiga pegar o sol na minha mão, torná-lo pequeno, e temperatura ambiente?
Ou talvez a lua? Transformá-la em minha casa, com direito apenas, a visitas especiais...
Não, não! Talvez o oceano! Quem sabe eu consiga contar todas as suas gotas?
O mar? Poderei um dia nadar no meio. Talvez, quem sabe?
Ou até mesmo as estrelas, poderei fazê-las de jóias raras!
Talvez os planetas, poderei quem sabe, ensinar aos meus futuros filhos a jogar bola no espaço...
Quem sabe, poderei um dia passar as férias no universo... E mandar cartão postal via nuvem?
Ou viajar dentro de casa, pra um outro lugar... Sentir talvez, o perfume do ar! 
Quem sabe, eu consiga com apenas um olhar transformar as imaginações de um marginal, em uma fantasia fictícia universal...
Um dia talvez, quem sabe. 

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Pensamentos rápidos


No primeiro piscar de olhos, sinto o gosto de teu beijo, o toque de seus dedos em meus cabelos, o expremer de teu corpo no meu... E o carinho de sua voz suave em meus ouvidos...
No segundo piscar de olhos, sinto arrepios em meu corpo inteiro, desejando o teu cheiro por todo os momentos de beijos. Sinto tua boca, sabor de mel, entrelacado em meus lábios...
No terceiro piscar de olhos, sinto o teu abraco carinhoso, o teu gesto dengoso e teu olhar delicioso...
No quarto piscar de olhos, estou sonhando...
E não houve mais o quinto piscar de olhos, porque eu acordei assustada, e fiquei chateada.. 
Era apenas um sonho bom.

O velhinho


Você viu alguma coisa? Pensou muito? Achou que se for tocar em tal assunto, algo dentro de você iria mudar? Tem uma pequena historinha, que gostaria muito de compartilhar.

" Um senhor velhinho com sua bengala, e seus cabelinhos brancos resolveu sentar e pensar um pouco na vida e em como pode existir tantas pessoas que sentem tamanha vontade de estarem ligados nas cabeças dos outros
O que ele/ela pensa? Ou o que ele/ela fez ontem?
 
Alguém gostaria de lhe contar algo, em seus ouvidos, enquanto ele refletia sozinho. Encomodando-o o rapaz lhe falou:
 
- Tenho uma coisa para lhe falar!!
 
O velho pensou e devolveu:
  - Para me falar? Mas primeiro conte-me. Seria algo para minha vida ser mais florida? Seria algo que eu poderia ser imortal? Iria eu ganhar amor em meu coração? Talvez, quem sabe seria algo sobre Deus? Uma curiosidade de um mestre matemático?
 
O rapaz falou:
- Não senhor. Não é sobre nada disso. É sobre ciclano, ele disse que você..
 
o velho interrompendo disse:
 - Que eu? Menino, vai observar o que você já fez ou pretende fazer. Porque eu sei de tudo que eu fiz, não precisa vir falar, ou fazer seguintes comentários supostos.
 
O rapaz saiu em silêncio. E foi ler seu livro de enciclopédia. "